segunda-feira, fevereiro 26, 2007

AVANÇO DO MAR NAS PRAIAS DE ESMORIZ, CORTEGAÇA, S. PEDRO E FURADOURA [2]

Olá Carlos,

Prezo muito em saber que te encontras preocupado com este problema que implica uma parte da população vareira embora a médio prazo este problema poderá afectar grande parte do concelho de Ovar, pois sabemos que a nossa localidade encontra-se sobre pressão pelo Mar, Ria e Barrinha de Esmoriz.
Relativamente à primeira parte do teu post, devo referir que não é completamente injusto mas em grande parte é, e passo a explicar. Possivelmente, não tens acompanhado a nossa actividade na totalidade, caso contrário não terias a mesma opinião. Repara, temos dois exemplos claros, que expressam a nossa preocupação relativamente a este problema. Um refere-se ao programa Antena Verde que passou na nossa rádio local AVFM na semana compreendida entre 08 e 14 de Janeiro do ano corrente, intitulado de “ESTRATÉGIA NACIONAL PARA O LITORAL” o qual foi baseado em diversas fontes mas fundamentalmente num artigo do JN de Dezembro. Neste programa estabelecemos um paralelo entre o problema da Costa da Caparica e o nosso, repara: «[…] Assim, justifica-se transpor esta situação para a nossa zona costeira porque, por um lado ficou claro através da opinião de especialistas, que “num futuro próximo talvez se assista à retirada de populações do concelho de Ovar” destas zonas de contacto com o mar. Por outro lado, esta ideia é reforçada quando assistimos a permanentes avisos da natureza, que nos indicam que muitas condições do nosso concelho podem ser mudadas a curto-médio prazo. Por exemplo, repare na praia de Maceda, ou ainda no bairro piscatório de Esmoriz. São claros os avanços do mar, e esta situação também se verifica na zona balnear do Furadouro e sobretudo na zona costeira a sul do Furadouro.» […] Por outro lado, questionamos até que ponto a sociedade civil através de esforços de associações ou de esforços individuais poderá intervir em todo este processo, repara: « […] Relativamente a esta matéria, o que pretendem fazer os nossos governantes e dirigentes autárquicos?
Através dos jornais, sabemos que o plano de intervenção da orla costeira tutelado pelo Ministério do Ambiente, prevê para Ovar as seguintes acções:
- A reparação das defesas aderentes de Esmoriz e Cortegaça;
- A reparação dos esporões de Esmoriz, Cortegaça e Furadouro;
- E A criação do plano de intervenção das frentes marítimas das praias de Esmoriz e Cortegaça.
Contudo deixo em abertos as seguintes questões:
- Mas se somos uma das zonas mais fustigadas no que diz respeito à erosão costeira, não se justificariam estudos de gestão e controlo do litoral vareiro?
- E a requalificação urbana? Será viável e importante?
- Mas o que são exactamente estas acções?
- Que consequências terão estas intervenções no quotidiano de quem reside em Ovar?
- Para quando estas discussões e consequentes decisões?
- Como habitante desta cidade, também pergunto, que papéis terão as associações locais e o cidadão comum, na discussão, na decisão e na própria concepção destas alterações?»




Outra rubrica referente a este assunto também passou na AVFM entre 2007-02-05 e 2007-02-11 com o título “O Mar Engole” também reflexo de um artigo do JN.



Como já te foi explicado por telefone e também por um comentário neste blog, na próxima semana vai sair um artigo de opinião sobre o tema no nosso suplemento Praça Verde do jornal local Praça Pública. Pelas provas que te apresento neste post, podemos perceber que grande parte da tua acusação é injusta. O assunto tem sido seguido dentro das nossas possibilidades, mas com muita atenção. Estes programas são o testemunho das nossas preocupações.

Relativamente ao problema quem tem sido alvo de atenção dos principais orgãos de comunicação do país, não tem haver necessariamente com matéria ambiental, pertence sobretudo ao domínio social. Dá para entender que é urgente retirar aquelas famílias de Esmoriz da situação precária que se encontram. Este problema não se remedia com "paliçadas" ou de "plantação vegetação adequada", resolve-se com realojamento. Sobre isso existe uma entrevista ao Presidente da Câmara Municipal de Ovar, dada ao jornal Público de sábado passado.

No que diz respeito ao problema em geral, resolve-se no âmbito do ministério do ambiente através dessa ESTRATÉGIA NACIONAL PARA O LITORAL, que pode passar pela construção de muralhas, por seguir exemplos como a Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto ou dos passadiços do Furadouro [que segundo alguns especialistas não irá resolver o problema], ou deixar que a natureza siga o seu curso, deixando o mar entrar e realojar as populações [como alguns especialistas defendem], ou por um bocado de tudo.
Estamos cientes que este é um problema transversal à sociedade, ou seja o problema deve ser discutido a começar no governo, e passar pelo especialistas e pelas associações, e acabar no cidadão comum, porque o dito problema vai ser sentido por todos.

Do meu ponto de vista, o grande problema é que estes assuntos são levantados pelos orgãos de comunicação para gerar alarmismo só com intuíto de gerar vendas e audiências. Depois algumas forças políticas agregam-se aos estimulos mediáticos com fim de garantir e justicar a sua actividade, mas depois tudo cai no esquecimento tanto das forças mediáticas como das forças políticas e consequentemente na opinião pública. Que partido ou que comissões partidárias vão ser constituidas ou já existem para acompanhar o desenvolvimento da dita "ESTRATÉGIA NACIONAL PARA O LITORAL"? Quem vai acompanhar a execução dos 132 fogos para realojar a comunidade piscatória de Esmoriz prometidos pelo nosso Presidente da Câmara? Terá a comunidade piscatória capacidade de reivindicação para garantir que as promessas que lhes foram feitas serão cumpridas?

Carlos, basta estares presente para que percebas que estamos cientes e preocupados com esta questão. Embora a nossa opinião seja em grande parte fundamentada pelos “mass media” não andamos a reboque deles, e passamos a nossa preocupação no momento que achamos mais conveniente ou mais oportuno, ou mesmo quando nos derem oportunidade para o fazer.
Também não somos imunes à política, e temos a plena consciência que esta afecta-nos a todo o momento, e ainda bem porque é assim que funciona uma sociedade, contudo não andamos a reboque de interesses político-partidários.

Abraço, Carlos Ramos.

5 comentários:

Anónimo disse...

Pelos vistos e como de costume acordaram tarde e a más horas para o problema.
Alguem ouve a antena vareira???????
Começo a pensar de que ambientalista a vossa associação só tem o nome, pq fazer algo pelos problemas da vossa terra chapeu sempre com a desculpa que não se querem colar a organizações politicas.
O ambietalismo vareiro perdeu muito com a ida do Augusto para os Açores.

Carlos Ramos disse...

1. «Pelos vistos e como de costume acordaram tarde e a más horas para o problema.» Caro amigo "anonymous", por esta afirmação posso concluir que, ou não leu o post completo, ou então não percebeu o que foi escrito. Sugiro que leia mais uma vez este post, ouça mais vezes a nossa rubrica de rádio, leia mais vezes o nosso suplemento Praça Verde, do Jornal Praça Pública [lido pela maioria dos vareiros], leia os livros "Quando o mar enrola na areia" e "A praia dos tubarões" fruto de um trabalho apurado de um nosso conterrâneo;
2. A AVFM ou Antena Vareira, tem a gentileza de entregar algum tempo de antena à nossa associação. Embora possa ter pouca audiência é a rádio da nossa terra, e tem um potencial enorme para explorar os problemas e as virtudes da nossa localidade. O Antena Verde é um espaço e um trabalho de que muito nos orgulhamos. Aliás como a AVFM, a SFM rádio local da Murtosa, concede-nos tempo de antena exactamente nas mesmas proporções, e exactamente com o mesmo conteúdo;
3. Caro amigo “anonymous”, não somos perfeitos, mas temos um profundo sentido democrático, e achamos que críticas construtivas serão sempre bem-vindas, mesmo que não sejam do nosso agrado. Todavia devo esclarecer que, para associados ou não associados, as suas reclamações ou críticas à nossa actividade devem começar pela primeira instância: as nossas reuniões semanais. Reunimo-nos todas as sextas-feiras a partir das 22.00, no endereço descrito na barra de ligações. Só assim é possível levar as críticas a sério, na nossa organização e em qualquer organização.

Anónimo disse...

Estam na SFM pelo menos esse é um bom projecto.
Quanto ao facto de as criticas serem levadas a serio nas vossas reuniões semanais, é uma afirmação ao bom estilo do humor do gato fedurento, segundo dizem as más linguas.Para alem do que tenho actividades mais interessantes para me dedicar nas noites de sexta e partir pedra não está incluida nelas.

DADDY disse...

olá olhem també ando preocupado, com o avanço do mar. na caparica. gostava que me enviassem o vosso email, o que eu penso é que irremedia~velmente para manter as praias com areia vamos ter de investir no seu preenchimento anualmente por métodos artificiais. Agora quem poderá custear estas obras? Eu tenho soluções mas envolve trabalho e por isso gostaria que enviassem os vossos emails para trocar mais informações. Enviem para telmodanielrodrigues@gmail.com
aguardo por noticias companheiros.

Elisa Albuquerque disse...

peço desde já desculpas por estar a usar o vosso blog, que é de uma causa mto nobre, que pude vislumbar o problema em 1993, mas preciso encontrar uma pessoa que viveu em esmoriz e penso que vive em cortegaça, uma pessoa mto conhecida no vosso meio... chama-se Carlos josé Ferreira da Silva, vulgo Cazé.... o meu email é elisa.albuquerque@gmail.com
Se alguém o conhecer e me puder dar o email ou algum contacto, p.f. é urgente e com 11 anos de atraso!
Obrigada